29 de julho de 2011

Doutor meio a meio



Dada a senha Mario já acostumado com a palhaçada decidiu esperar, sua trepada não era tão importante quanto as dos garotos virgens, menores de idade, loucos para gozar em menos de cinco minutos. Leu a placa na parede: “Mantenham o corredor limpo” - Como se o quarto estivesse uma sala de cirurgia. – Pensou experimentando um riso entre pedreiros e velhos babões, seus acompanhantes de fila, já fadados por esperar, mas nunca insaciados pela garota do 16. Não sei o porquê do tal número, muito menos Mario sabia, era sua primeira vez ali.
Refletiu, ascendeu um cigarro. Alguns reclamaram, outros pediram o isqueiro de Mario emprestado. A cafetina vinha enfurecida pelo corredor, querendo logo meter uma bronca no primeiro chaminé ou tirar mais dinheiro de um dos pobres coitados que guardaram cinquentinha no fim do mês só para aquela puta, que já devia estar totalmente acabada às três da tarde de uma sexta. Irada, a cafetina olhou para Mario com um esboço de um sorriso irônico e disse:
- Que raios de doutor é esse que vem parar em um lugar desse e ainda fuma?
- Vai tomar no cu, me atenda bem, sou seu cliente.
- Ainda é formado em má educação.
- Deve ter terminado com o macho dele. – Um banguela fedorento com um boné de campanha política, de mãos rachadas de cal ria convulsivamente, puxando um coro de doze homens e seus risos de meia arcada dentária. Até os mais novos riram, e olhem que os tais, pareciam até estudar em uma escola de porte alto, pareciam mesmo de classe média, ao contrário do resto.
Mario saiu da fila, trombando na filha da puta da cafetina que vertia maconha. Olhou bem para o meio da rua, viu que seu carro não se encontrava mais lá, ergueu as mãos na cabeça, desesperado sentou no chão e em meio a sarjeta entrou em um colapso de virtude. Não tinha a culpa da morte, mas julgava-se por não fazer mais.
No fim da noite Mario recebeu a notícia de que seu carro fora encontrado, mas em péssimo estado, às onze deu para um michê lotado de bomba nos braços e voltou ao hospital para o plantão. Garotas, este é o homem que vocês querem? 

B. Bellato (vulgo O Bellatore)

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