A impressão que tenho dos ultimos tempos da minha vida é de que caminhamos em círculos. Não apenas na situação ecônomica atual como na imprescindível evolução tecnológica as nossas mudanças de humor e de personalidade ficam apenas dentro de outro conjuntos de bobagens e assuntos supérfluos a serem retradados no cotidiano da familia brasileira.
O importante são os ajustes fiscais, os julgamentos corruptos, a alta massiva e contínua do dólar e os macetes do governo para tentar nos arrancar a dignidade que nos resta. E o amor se esconde entre os perfis do facebook, os match's do tinder ou uma trepada qualquer que se encontra em aplicativos mais sórdidos. Prazer, mundo real.
É importantíssimo dizer que a visão ja se embranquece, a droga é acessível e o mundo anda se enquandrando em esteriótipos tão prepotentes quanto os argumentos da estabilidade dos mesmos. Mas não adianta mais. Já fomos entonteamente e espontaneamente atingidos por essa big Apple.
Vamos aguardar. Esperar a crise se estabilizar mais um pouco e esperar amores idealizados cairem do céu assim como a Ibovespa cai a todo instante neste início de primavera de 36°. Afinal, se existe amores em tempos de crise, também existirão calorosas paixões.
Por mais que se faça boas ações na medida em que abrem as possibilidades durante o cotidiano o nosso espírito tende a carregar diversos vícios dos quais nós como humanos nem nos damos conta.
Se faz de tudo para acertar, mas os dados ainda continuam a dar azar quando arremessados no tabuleiro da verdade que ganhamos todos os dias quando nos acordamos. Perder é tão rotineiro quanto dormir. E eu durmo.
Durmo com medo de não conseguir curar minhas chagas espirituais abertas nesta vida de lamúria. Durmo para tentar entender como a fé sucumbiu-se e não voltou como era antigamente. Durmo para fugir dos desencarnados que tentam me rodear ou dos encarnados que me cercam com falsas promessas e invejas.
Dormir faz mais sentido que viver agora, pois nos sonhos há aqueles que me reencontram e que me façam agir e seguir em frente, mesmo com essa sensação de solidão contínua que toma chá mate comigo neste maluco inverno chuvoso.
Dormindo bem ao menos prossigo arremessando os dados no tabuleiro. Ainda haverá um dia onde irei ganhar as dúzias completas nas apostas da felicidade.
É difícil a maneira com que a interpretação de cada um tende a ter sobre as coisas. Mas o lado bom da vida é esse. Visões e interpretações diferentes nada mais é a multiplicidade de individualidades perante a visão do meio. É dificil de entender agora, mas um dia o sorriso no rosto se abrirá e você apenas se recordará de que estou certo diante das dificuldades assumidas.
Não estava ali. Nao estava diante do olimpo, da eiffel ou da esfinge. Não compunha a sinfonia do romance entre diálogos criticos ou de crônicas bem contadas. Apenas queria uma única coisa: Sorrir. E quando vi era tarde demais para se voltar atrás por uma cumplicidade hermana, amiga, aquele bolo de chocolate que antes era delicioso já tinha derramado sobre o forno suas gotas de paixão, e o cheiro ja cheirava queimado.
Mesmo assim desliguei o forno e continuei assando o bolo, tentando recuperar estragos ou deixando me envolver em seu sabor. Mas o bolo não descia. Não era bolo de chocolate que queria, não era nem bolo que eu queria.
Antes de jogar o bolo fora, por mais que instantaneamente, sem perceber que ainda estava quente, fui dar uma checada no jardim, tinham plantado uma semente lá, uma bela e linda semente. Mas esqueci de avisar que talvez aquele solo precisasse de mais e mais tempo e adubo antes de se plantar algo ali, o jardim árido que ja citei até nestas páginas online fazia sentido agora. A sede ao pote matou a plantinha. Mas não fique triste. O problema foi o solo.
Ah, e só para lembrar, eu também quero meu som, minha sintonia de bpm's, drops e loops saltarem diante de meu corpo sobre o poder de algo tão sintético e insolente. Recorde-se, para mim talvez o amor seja uma droga.
Diante de explicações via mensagens de texto ou por páginas de blog para blog de uma coisa sei. Poupei o seu e o meu sofrimento em saber que caminhos bons podem ser diferentes e lado a lado se quiserem. As estradas nem sempre precisam se cruzar para andar em paralelo.
Relaxa, a visão é correspondida um ia, o bolo vai assar, a semente vai florescer e a sinfonia vai ser composta, seja de house music ou indie rock e lá você vai sorrir e lembrar deste texto aqui.
Desculpas liberadas aos quatro cantos do mundo não fazem o real sentido. As peças não se encaixaram, os dilemas não foram resolvidos, a ausência não fazia tanta falta como se devia e os sentimentos prosseguiam embaralhados pela dúvida.
Os lençóis poderiam suar durante todas as noites do ano, os sorrisos até que correspondidos, mas o alcançar não estava presente, os volúpeis desejos se apagavam com o tempo e a verdade devia vir rápida e estranha, assim como uma raposa que caça e mata sua presa silenciosamente. Eu matei seu sorriso.
Compreenda o fato de que tentar compreender já faz de você especial, não é uma derrota. É um desencaixe. Sabe-se lá Deus de datas, paixões ou de ideias. Mas não se escolhe amar. Não se escolhe o fio, a liga, a corrente, a aliança.
Se ela vir, ótimo, se não vier, prosseguimos de cabeça limpa. Sabendo que um dia nesse planeta algo fará sentido em algum bom momento.
Quanto ao seu afeto, guarde com carinho, ele será muito bem vindo em portas que o mereçam. Pena que a minha prossegue trancada. Pelo menos as janelas da vida se abriram.
Passa pela cabeça algumas dúvidas intercaladas com o a minha história até aqui. Será que sonhar é demais? Ou pisar no chão gelado é algo tão frio quanto os pés depois de uma caminhada? Não compreendo os sentidos que a vida toma. Os rumos que ela leva e as razões pra qual vivemos.
Haverá algum dia do qual algo que escrevo a todo momento na fantasia da memória se torne realidade ou faça sentido?
As horas são tristes agora, os convites para as noitadas se tornaram inválidos, os bons abraços se tornaram mensagens de parabéns e boas ações. Um tapinha nas costas de vai melhorar, vai dar liga na lama que se encontra, vai acontecer algo que te faça sorrir, esses são frequentes.
Não sei se é piedade, se é cansaço, se é stress ou medo. Eu só sei que seguir a cada dia e cada momento é cada vez mais e mais complexo. E encontrar as fagulhas de desejo nesse mar de realidade é um dos milagres que espero do Senhor Bom Deus.
E mesmo que a fé se sacuda sobre o gelado vento lá fora nesta madrugada eu prefiro continuar orando e tentando aceitar que solidão não dói. B. Bellato
Talvez com os vinte e dois anos
batendo à porta, imagino neste momento que crescer foi a pior coisa que me
aconteceu, sabemos enfim, que contos de fada não existem, que amores de novela
não existem, e que ainda há as esperanças de um novo alvorecer diante dos olhos
de um jovem rapaz ainda confuso, indeciso e preocupado.
Então descobri que o mundo é frio
e egoísta, e que talvez ele nem tenha culpa por isso, que você deve perdoar,
que deve ser competitivo para se dar bem e mais que necessário é dar o seu
melhor sobre tudo o que faz. Fazer algo que goste, e que não tenha medo de
mudar, de sonhar com alguma coisa melhor e lutar por ela. Muitas vezes você se
sentirá fraco, mas o segredo é não desistir.
Nunca pense que não merece o que
acontece de bom ou de ruim pra você. Esta é uma das mais lindas oportunidades
que a vida lhe dá em ser uma pessoa melhor e especial, os melhores brotos de um
jardim foram os que sobreviveram ao frio de uma madrugada.
Lembre-se que oportunidades e
palavras ditas nunca voltam. Então, aproveite as oportunidades e aprenda a
medir as palavras. Saiba que dar conselhos é fácil, o difícil é enxergar o
outro como se vê a si mesmo. E mais difícil ainda conhecer a si mesmo. Nascemos
e morremos com a sensação de que não descobrimos nada da vida.
Chore o quanto puder, e der vontade,
garotos também choram. Não acredite no destino, mas aposte suas fichas em você.
Lembre-se dos reais amigos, eles podem não estar presente fisicamente,
compartilhar dos mesmos gostos que você, podem não ser o que desejava para seu
círculo de confiança, mas são eles que vão te recuperar quando você cair. Não
perca amigos por bobagens, releve as palavras, demonstrando a humildade que se
mostra a confiança.
Não reclame demais das coisas,
apesar de ser difícil não abrir a boca por aí lamentando de seus fracassos,
saiba que as vitórias precisam estar mais em destaque do que eles. Cuidado com
as vitórias também, há sempre alguém de olho nas suas.
Acredite nas memórias, acredite no
que te fez ser quem é agora. Acredite nas pessoas, elas são como você, e
precisam se entender também, e principalmente acredite no futuro, ter medo do
futuro é absolutamente normal, se algum
medo passava em minha cabeça quando estava com doze, eu não me recordo, mas os
32 que poderão estar mais próximos com certeza me apavora.
O que não posso me esquecer é que
ainda tenho sonhos para realizar, missões a cumprir. E que posso cair centenas
de vezes, mas cada queda deverá ser um impulso para me por novamente em pé. Acordei
hoje pensando que 21 se foram e que a graça dos 22 está na palma da minha mão.
Basta querer abrir um sorriso.
Andando sobre a calçada de pedra bem gelada ainda do sereno intenso da noite anterior passei diante de dois pardais que voaram assustados para o primeiro fio de energia, eram talvez um casal, já que no inverno muitos animais possuem a tendência de possuir parceiros para se proteger do frio. Inclusive humanos.
Mas o que me restava naquela manhã meio acinzentada de Sol fraco era apenas o último resfriado que peguei fumando meu baseado na noite de quinta. Fui veloz buscar respostas, por onde andam os pares dos outros? Não que cada um tenha um par, mas ali a questão era mais por onde andavam os reais interesses das pessoas em viver com a harmonia e a gratiďão de proporcionar ao seu próximo momentos e memórias agradáveis e felizes.
Com mais de um ano sozinho pude perceber que o mundo está farto de mecanizadas almas diante do espetáculo tão bonito que é a vida.
Cheguei ao ponto de ônibus aguardando próximo ao único calor, ainda fraco, que o Sol proporcionava. Um vizinho esquizofrenico me desejou bom dia e atravessou a rua, avistou no plhar um cão tão preto como grafite e o desejou bom dia, fez um carinho nele e o mesmo o agradeceu com o abanar de seu peludo rabo.
Admirei a cena e pensei. Se o mundo tivesse mais pessoas como o vizinho que mal sabe o que faz perante suas próprias amizades, talvez conseguisse um pardal que seja para se aquecer até que a primavera chegue.
Apesar de toda a multidão envolvida no assunto venho-lhes contar uma história um tanto sozinha de um mês do ano que se passa devagar para pessoas como eu.
Junho parece um tanto maroto, começa entre o meio termo de calor e frio típicos de um outono qualquer, mas é só mais uma peça que ele prega. Quando vemos já estamos mergulhados dentro de um frio inexplicável chamado solidão.
E aos Junos solitários como eu, sejam eles de quaisquer signos do Zodíaco, amamentar as implicâncias consigo mesmo ficam bem mais fáceis. Não compreendo se Junho vem a Somar ou a dividir nossos rumos em um meio sem saídas.
As previsões mal elaboradas de um verão tropical, os péssimos cálculos de um Janeiro pouco vivido, lembranças de um carnaval magnífico ou a sofrida quaresma anual. Tudo se esvai em Junho. Junto com seu péssimo gosto em sofrer diante de todos os ditos fatos.
Talvez no fim, Junho termine com uma esperança de que uma longígua estação alcance. Os lindos dias da primavera chegarão. Mas enquanto isso escondemos nossos sentimentos mais sinceros no frio da realidade do inverno. E debruçados na janela da vida esperamos o calor de uma emoção chegar. Seja ela em Junho ou não.
Foi mais uma vez uma das historias não contadas. Sobressaindo sobre as diversas vezes em que a luz se refletiu nos espelhos da solidão.
E mais uma vez um homem só. Não... Não era, mas imaginava ser perante a ordem dos fatos. Gerava um desconforto a si mesmo, pois não sabia se era apenas só ou apenas homem. Não sabia também que sobre as sombras que perambulavam seu passado existiria um presente tão bonito. E acredite, era mesmo um desses presentes que toda criança quer.
O homem sorriu. Fantasiou e imaginou o presente para si. Quando na verdade era mais uma surpresa com embrulho bonito. Sobre seu cavalo branco, enaltecido de charme e elegância, veio visitar o homem um tal príncipe de um reino jamais visto. Com outros gestos e rimas falava sobre o futuro como se falava de um presente que não existe.
Mas ao se recordar que as coisas não iam tão bem em seu reino, debruçou-se sobre seus joelhos e calou-se subitamente. Ao perguntar o que lhe afligia o homem só, ou visto assim, teve uma das respostas mais surpreendentes de sua vida:
"Existia aqui em teu reino um lindo e admiravel jardim, com flores e frutos cultivados com um carinho exemplar. Tenho grande admiração por ti, e pela maneira com que trataste seu jardim mesmo que seco ultimamente, mas há um reino longe daqui que precisa de mim, há um reino para qual eu governe com o mesmo amor que o teu, e necessito despedir-me".
E assim aquele que homem que não tinha certeza de sua solidão, passou a ter. E cultivando com sua fé que restava o seu solo árido e seco, sem cores nem flores, admirou o príncipe partir em seu alazão sobre o súbito tardar de um anoitecer.
Sem metáforas, a vida às vezes nos transporta para um artificial costume de solidão, onde a ambiguidade de qualquer relação entre você mesmo e outra pessoa é vago demais para uma cumplicidade. Nao se vê, nao se fala e ainda mal se sente.
Este bloqueio sentimental se deve por conta de uma barreira em que nossa auto estima nos coloca, algo o que a maioria da raça humana chama de depressão. Doença mental onde o seu ID entra permanentemente no seu ego a ponto de destruir quaisquer boas intenções em sobre como se sentir.
E como em um avalanche, sua vida submete-se a uma rotineira e uma avantajada procura da saída correta, também predominada de felicidade por outros da espécie.
O ser qualificado a ter este tipo de abstinência de relações humanas deve manter o equilibrio (Por menor que já seja) emocional sobre as suas ações posteriores, logo que descobre-se o caso, pois poderão haver diversas situações em que paralelamente outras circunstâncias de seu cotidiano também passem a ser mal administradas.
Há a recomendação de medicamentos de auto controle, antiansioliticos, mas a prática de atividade física é fundamental para auxiliar a dimiuir o agravamento do caso.
Dito as regras, siga-as. Com suor e luta, garra e conduta. E saiba, ninguém está totalmente sozinho em um barco afundando como este. Boa sorte e boa (seja otimista) viagem.
Quando as perspectivas da vida tendem a nos derrubar diante dos fatos do cotidiano não consigo parar de pensar em outra coisa a não ser adormecer diante de uma cama confortável. É assim que um homem fraco resolve seus problemas.
A fraqueza veio com o mesmo tempo que o derrubou. Alegre e sorridente vivia de promessas, sonhos e ilusões. Passou a acreditar em momentos e guardá-los como se não houvesse amanhã, mas nem sempre de boas intenções vive um homem. E desta forma ele acabou caindo brutalmente nas garras de um sarcástico destino.
Sem forças, admira os passos alheios, as coragens e os anseios. Ainda não consegue se projetar e acabar com os problemas que restam. Mas talvez um bom sono ajude a pensar novamente em soluções.
Hoje não consigo dormir. Não é lá aquela novidade, mas há algo de especial nisso. Amanhã quando acordar meu mundo não será mais o mesmo, e mesmo que a mesmisse bata na porta, o mundo não será mais aquele com qual fui me deitar hoje.
E é por isso que eu tenho uma insônia neste determinado momento, pois é humano ter medo do novo. É o novo que traz consigo os mistérios da vida. E as surpresas, agradáveis ou não, apenas são pontes para um outro novo caminho a ser seguido.
Se o cobertor esquentar demais a sua cama, se o travesseiro já estiver todo amassado, se suas oraçőes já foram feitas, então sorria, pois quando o Sol nascer e trazer o calor, quando os pássaros voltarem a cantar próximo a janela do seu quarto, lembre-se, seja hospitaleiro com seus próprios rumos. Eles só querem ser bem recebidos.
Apaguem as fotos dos smartphones, destruam as camisetas compartilhadas, doem as pelúcias ganhadas, apaguem-os das redes sociais. Oh sim! Romeu morreu. O desastrado e carrasco mundo romântico está com seus dias contados. E sabemos que a flor roxa do amor não mais nasce aos trouxas de bom coração.
Deitam-se um ao outro, mas apenas no corpo, as mentes já estão nas famílias, no trabalho, e até nos relacionamentos vazios de sexo fácil. Não só o sexo é fácil. Não chamem o rei de reú que é que ú que se aprende a dar respeito. Os casais já estão mais distantes do que imaginamos.
Trocam o fato pelo incerto, como trocam os sapatos para dançar aos sábados. Os problemas com amor são riscados da lista. Que lista? As únicas são as de compra e as da fila VIP na entrada do club. E o verdadeiro VIP? É primeiro sarado da noite ou o "gato pingado" após três tequilas?
"-Alô?
- Alô. Com quem falo?
- Solidão.
- Pensei que tinha morrido com Romeu.
- Estou mais viva do que pensam. Mas escondo-me diante das vontades.
- E o Romeu?
- Aparece depois dos 30... "
E será que os 30 chegam logo? Não é problema Romeu morrer. Problema são as Julietas que restarem também serem levadas diante de tanta falta de verdade.
E nas ruas, outdoors em destaque: "Troque rosas e chocolate por sexo e beijo na boca". E dentro da cabeça: Ganhe belos corpos e seja bem quisto.
O importante mesmo é procurar a felicidade diante de tantos fatos reais, seria como encontrar os ovos de ouro, mesmo sendo dos contos de Grimm.
Mas cuidado, o ministério da saúde do Ego adverte. Se sentir certo desconforto denominado popularmente de "frio na barriga", o tremer de pernas (bambas), moleza, sensação de liberdade e prazer e sintonia com uma pessoa com que se relaciona... Cuidado! Pode ser doença. Pois lembre-se, Romeu morreu de amor.
Há certos momentos na vida das pessoas em que acontece sequência de pulos. Apresentando nossa passagem neste planeta como um longo tabuleiro avançamos uma casa no jogo a cada dia que vivemos, mas algumas vezes temos a sorte ou a conquista de pularmos algumas casas para evoluirmos de diversas maneiras.
Casamentos, formaturas, um bom trabalho, uma nova viagem, um novo amor, uma oportunidade em geral, enfim, conseguimos avançar algumas casas numa sequência de pulos.
Mas nem sempre os pulos vem facilmente. Os dados são arremessados a todo instante e na maioria das vezes não damos sorte de obter novas conquistas.
Enquanto os pulos não vem. Agradeço a Deus pela casa avançada, e aguardo um pouco frustado diante da pressão e da necessidade de um novo pulo sobre o tabuleiro da vida.
Por mais que o mundo te mostre as aventuras de um novo rumo, o fracasso sempre lhe perseguirá diante do seu caminho. Pois como uma praga viril, como um parasita sedento, para o fracasso mais vale ser empurrado do precipício do que salvá-lo diante das demais circunstâncias. Se Deus criasse o mundo em menos de sete dias, talvez o fracasso de todo o mundo em que vivemos tenha acontecido numa proporção muito maior.
Uma senhora uma vez me perguntou sobre medo. Ela disse que tinha medo de morrer. E eu? De estar sobre a beira do mar do fracasso. Pois estar só, pobre espiritualmente, sem fé e sem rumo é a consequência de que o fracasso bateu em sua porta.
A senhora ao menos disse uma frase de incentivo que usarei para concluir: "Ao menos a vida bate em sua porta da mesma maneira que o fracasso conseguiu entrar."
Vi uma muda de violeta aos prantos hoje. Seca, amarelada, suplicava por água sobre um mormaço sem graça. Agradecia o astro rei ter dado uma trégua do infernal calor dos últimos dias. Mas acima de tudo já sabia de seu destino. A morte. Nao alimentei a muda. Não alimentei a esperança.
Por mais insensato que isso possa ser imaginado, alimentá-la trairia consigo a prolongação do concreto. E entre as raízes molhadas a muda agradeceria, mesmo sabendo que sua morte já estava sendo consumada.
A maior epifania da vida é saber que tudo tem seu devido fim. E por mais que você tente lutar contra o redento da ordem, o fim sempre se anuncia sobre a imensidão dos fatos errôneos de aceitá-lo.
Os fins podem nem sempre justificar os meios. Mas é pelos meios que podemos compreender que fins existem. Por quê? Porque é a ordem da vida.
Apesar da piedade em que sinto de matar uma tal violeta que existe dentro de mim, não suplico mais por um gole de esperança.
Aparentemente a vida não é tão fácil de ser vivida quanto se parece, mas o que a deixa ainda mais clara e também ousada são as malditas escolhas que fizemos durante segundos de nosso tempo tão ligeiro e precioso ultimamente.
Se tomo meu chocolate quente ou frio ou se saio sem agasalho quando o clima se encontra estranho, automaticamente somos levados a um plano paralelo do momento e começamos a imaginar diversas consequencias em paralelo à realidade, pois cada um de nós sabemos que nossos atos causam reações.
Subitamente pregamos peças em nós mesmos diante das circunstâncias em que temos em mãos e geralmente ,na maioria das vezes, costumamos escolher sempre aquelas alternativas das quais as razões sociais e conservadoras de nossas mentes possuem. Pena que esquecemos dos corações, que transbordam sentimentos e anseiam por um desejo mútuo de apenas uma coisa que é simples, mas fazemos questão de complicar: amar.
Então se tomo meu chocolate quente ou frio faz com que esqueça de amar? Parece que sim. Ouso em dizer que lembramos rapidamente que um chocolate quente possa queimar nossa língua, e isso já faz com que os sentimentos comecem a permanecer retidos.
Não aconselho para analisar a temperatura de uma bebida, ou levar uma jaqueta para passear de vez em quando, mas peço para analisarem cada chance que a vida te dá também com muito carinho, pois os corações precisam ser acalentados, e quando se ama de verdade, sempre se dá um jeito.
Uma verdadeira escolha parte não só do saber como também parte do sentir.
Três da manhã do dia vinte e seis de fevereiro do ano de 2015. E a unica coisa que gostaria de saber é como cheguei até aqui. Se perguntasse aos meus amigos, família, ex chefe ou qualquer outro pseudo-critico ignorante na rua, as respostas seriam quase as mesmas: Pelas escolhas.
São sim três. Optei por ficar acordado até agora. Optei por acordar cedo hoje, ou ficaria contemplando a preguiça de um desempregado durante horas. Optei por deixar meu emprego, optei por jorrar algumas moedas na viagem de carnaval, optei por arremessar pela janela os odes aos fortes, optei por financiar a faculdade. Optei por tantos fatos e atos que talvez nem me recorde de outros só do presente.
Acontece que as opções lhe salvam ou lhe estrepam. E nem sempre estamos preparados para conseguirmos enfrentar todas as suas consequencias. Enfim. Talvez, às quatro, a pergunta não seja mais essa, e sim na onde chegarei com tudo isso. E dessa eu tenho medo.
Eu danço. Na pista aberta entre as luzes fosforescentes de um lunático episódio ecstasiado de amor por mim mesmo. Eu danço. Descoordenadamente, entontecido sobre as batidas da rotina embaraçada. Entre um e outro prefiro dançar. Escolho dançar sobre o poço de estupidez sobre quem realmente somos e deixamos de ser.
Danço em nome do perdão. Do assumir de consequencias abaladas pela vontade de resolver-me diante dos leões da rotina. Danço na valsa do apego, e ao me pegar pisando no pé do parceiro resolvo trocar o ritmo. E mesmo com o Jukebox trocando a valsa romantica passada por uma gafieira malemomente eu prefiro trocar o disco e acabo num bolero de solidão.
Vovó certa vez me disse que cantar e dançar espantava as coisas ruins. Por instantes pensei em acreditar que um bailarino é feliz em quase toda sua vida. Papai já deixou-me claro que a felicidade da vida se encontra apenas nos melhores momentos. Então vovó tinha razão. Quem canta e dança sobre o seu pairar de problemas acaba encontrando a felicidade sobre as circunstancias.
Ouso em dizer que mesmo encontrando no cinismo das batidas eletrônicas a minha felicidade, apresento-me sobre o espelho de narciso. Não sei onde perdi o cavalheirismo das danças à dois. Ou até sei, mas prefiro resguardar as lembranças para se debruçar sobre uma bossa e recordá-las como Faz parte do meu show. Eu dancei. Cai. Torci um dos tornozelos. Me fiz de orgulhoso. Sentei-me próximo ao bar. Resmunguei poucas palavras. Guardei outras e resolvi ver o salão dançar por si só. Apenas aguardo a próxima festa.
Escreverei para os mortos corações que não mais se amam. Escreverei para os distantes lábios que não mais se tocam e escreverei para as almas que não mais se comunicam como antes. Escrevereo para os velhos e jovens sentimentos do mundo que já foram bem melhores.
Não citarei Rubem Alves, nem Caio, nem o vazio tão sagaz de Djavan ou Cazuza. Deixarei apenas em mais um momento de insônia palavras de quem acolhe o passado com as mãos de um jardineiro colhendo a primavera entre os dedos. A semelhança entre os poetas e eu é que colhemos lembranças. Já eu alimento-me delas e consequentemente vicio-me em procurar mais das sacanas.
Apesar dos problemas mais convincentes de que uma vida adulta deve ser encarada com disciplina e a insegurança que bate na porta a todo momento, não é mais sobre elas que as emoções de meu corpo se expressam. Ele quer o que já teve de melhor.
Ele suplica pelos melhores crepúsculos, pelos melhores sorrisos acalantados de carinho, suplica por amanheceres em êxtase noturno, e ainda implora por aquela pontinha de adrenalina nos melhores beijos. Ele deseja o melhor café da melhor viagem e também o melhor porre da bebebeira mais piegas dos ultimos verões. Ele deseja você, eu, nós e todos os que passaram. E todos novamente em sequência. Num ciclo de diversão, nostalgia e masoquismo.
Se são apenas devaneios com os trinta graus do quarto eu não sei. Só sei que ainda continuarei escrevendo para os meus desejos assim como eles me fazem entender meu corpo.